STRATA
Ao fechar-se um ciclo de dez anos, uma visão ampla e agregadora das obras de Joana Gama e Luís Fernandes fortalece a leitura do seu lugar ímpar no contexto musical português – e não só. Vale a pena recuperar os diferentes passos discográficos que marcaram esta primeira década: Quest, Harmonies, At the still point of the turning world, Textures & Lines e There’s no knowing, um disco após outro profusamente iluminado pela vontade de fazer novo e diferente. Pelo meio, outras missões de composição para cinema, artes performativas ou televisão, provando a elasticidade de uma formação que nutre natural atração pelos desafios artísticos. Então, em tempo de inevitável balanço, Joana e Luís regressam simbolicamente ao momento inicial da sua colaboração, trabalhando com o cineasta Eduardo Brito, autor da capa de Quest e das primeiras fotografias do duo, assim como Suse Ribeiro e Frederico Rompante, criadores dos desenhos de som e de luz, respetivamente, dos seus concertos. Habitando este espaço de diálogo entre luz e imagens, ouviremos Strata, a nova obra de Joana Gama e Luís Fernandes para piano, eletrónica e múltiplas camadas de sons recolhidos em diversos pontos do globo. [Pedro Santos, Culturgest]
Joana Gama (Braga, 1983) é uma pianista portuguesa cujo trabalho se desenvolve na relação com diferentes formas de expressão artística. Fascinada pela ideia de música quase silêncio, ou música que convida à contemplação, tem interpretado obras de Erik Satie, John Cage, Federico Mompou e Hans Otte. O ecletismo do seu trabalho é visível nas criações dos últimos anos: fez um concerto-ritual no MAC / CCB com música de Erik Satie, compôs e interpretou a banda sonora do filme KORA, da realizadora Cláudia Varejão, criou uma audiowalk para o Treetop Walk do Parque de Serralves e, entre 2020 e 2025, criou uma trilogia que junta Arte e Natureza para públicos de todas as idades. Em 2014, fundou o duo de piano e electrónica com Luís Fernandes, com quem lançou seis álbuns. Lançado e estreado em Janeiro de 2026 no Festival Musical Utopias, em Haia, «a mind in the heart», um ciclo para piano composto por Ivan Vukosavljević, marca o regresso de Joana Gama à gravação a solo, após «Arcueil» (2019). A discografia de Joana Gama encontra-se nas editoras portuguesas Shhpuma, mpmp, Pianola, Boca/Douda Correria e Holuzam, assim como na Room40 (Austrália), na TRTPK (Países Baixos) e na Grand Piano (Hong Kong).
Luís Fernandes (Braga, 1981) é músico, programador cultural e docente.
Enquanto músico tem desenvolvido trabalho a solo e como membro de múltiplos projetos tendo participado, até à data, em 55 edições discográficas. É elemento fundador da banda peixe : avião, mentor do projecto The Astroboy e Landforms, membro do coletivo La La La Ressonance e do duo Palmer Eldritch. Mantém, desde 2014, um duo com a pianista Joana Gama com o qual colaborou com Ricardo Jacinto, José Alberto Gomes, Drumming GP, Orquestra Metropolitana e a Orquestra de Guimarães. Em 2018 desenvolveu o projeto “Speaking of Chance”, explorando aleatoriedade controlada em sistemas de síntese modular juntamente com André Gonçalves e Lloyd Cole. Colaborou com Rodrigo Leão na composição, interpretação e produção do trabalho Cérebro: Mais Vasto que o Céu, encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian.
O âmbito do seu trabalho alarga-se à composição de música para teatro, dança, cinema, vídeo e instalações sendo de destacar o filme Mahjong de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, apresentado nos Festivais de Cannes e Locarno, a exposição Porto Poetic, de homenagem aos arquitectos Álvaro Siza e Eduardo Souto Moura, na Triennale di Milano, e as peças “Os Três Irmãos” e “Corpo Clandestino” de Victor Hugo Pontes.
