REBELO SPEERS WATERS TRIO
Esta música começa pela escuta — por vezes uma espécie de micro-escuta na sua atenção ao detalhe. É uma música sobre a curiosidade perante as sonoridades – algumas intencionais, outras acidentais. Vive do espaço, da intenção, do silêncio e da interação, resultando frequentemente numa dinâmica conversacional entre os três músicos. Estas conversas são, ao mesmo tempo, diálogos alinhados e lógicos, e muitas vezes díspares, até sonoramente absurdos!
O trio passa de completar as frases musicais uns dos outros a cada um dos indivíduos explorar caminhos separados, encontrando por vezes um ponto de convergência.
É uma música abstrata e de natureza não simbólica, mas que contém referências a idiomas musicais frequentemente semi-ocultos ou «encobertos». Este encobrimento assemelha-se ao processo de lançar lençóis sobre os móveis quando uma casa é deixada vazia durante muito tempo. A cobertura oferece proteção enquanto a casa adquire uma outra forma, embora as silhuetas de uma cama, de um sofá ou de uma poltrona continuem reconhecíveis. Aqui, as formas semi-ocultas são idiomas musicais — incluindo as margens da jazz, a música antiga, a música eletroacústica, o ritmo africano, a complexidade modernista, o minimalismo e o drone — visíveis em graus variados por baixo dos lençóis imaginários.
A nossa prática é improvisatória, enraizada em abordagens exploratórias às ecologias instrumentais de cada um e às musicalidades de cada um — por vezes convergentes, outras divergentes. A música oscila entre a repetição quase obsessiva e a mudança, traduzindo-se numa luta constante entre a estase e o movimento. Cada músico adota uma abordagem expandida ao seu instrumento, com o piano, a bateria e o contrabaixo a servirem de base para intervenções com objetos e dispositivos, criando assemblagens sónicas que expandem significativamente a sonoridade do trio.